Na noite da última quarta-feira, 24 de dezembro de 2025, o filme Sobre Dora e Dores foi exibido em telão à comunidade do Assentamento Piracema, local onde ocorreu 80% das filmagens do longa no último mês de setembro.
O filme, do gênero drama, tem duração prevista de 90 minutos e classificação indicativa de 14 anos. Ambientada no sertão nortista das décadas de 1970 e 1980, a narrativa acompanha Dona Cota, personagem interpretada por Marcélia Cartaxo, benzedeira e carpideira que, na velhice, torna-se mãe por adoção de Dora, uma menina órfã. A história aborda a transmissão de saberes, os vínculos construídos fora do laço sanguíneo e o enfrentamento cotidiano das dores e perdas em comunidades rurais.
Durante a exibição do projeto Kaká Nogueira destacou que a comunidade local participou ativamente e de diversas formas, com a atuação de mais de 100 figurantes, atores locais do núcleo principal, “vale ressaltar que se trata de pessoas que nunca antes havia tido contato com o universo do cinema”, enfatizou Nogueira.
Morador do Assentamento, Karliel Santos, 12 anos, viveu o protagonista “Dedé da Pinhola” na primeira fase, ele relatou “não vejo a hora de assistir também lá no cinema, que nunca fui, vai ser a primeira vez. Eu gostei muito de participar das filmagens, nunca esperava que um dia ia poder.”
Bell Gama enfatizou a participação dos moradores na execução do filme, “um lugar de gente muito simples, que teve a rotina afetada com a chegada da produção de Sobre Dora e Dores, sabemos que foram muitas contribuições para a comunidade, na economia, principalmente, mas também exigiu que as pessoas colaborassem com silêncio durante as filmagens, que tolerassem o aumento do fluxo de carros nas ruas, etc. Ela acrescentou que produzir um longa-metragem no Tocantins é ainda um enorme desafio estrutural, e isso só foi possível graças ao incentivo do governo federal, por meio da Secretaria Estadual da Cultura, sem esse investimento, seria inviável realizar um filme desse porte. Sobre Dora e Dores é um filme que tem a ousadia como marca, e, ao mesmo tempo que impulsiona o cinema tocantinense, alavanca a literatura, sendo o primeiro longa-metragem originário de uma obra literária, isso é marcante para a nossa cultura. Para Kaká Nogueira Nogueira, rodar essa história no Tocantins é mais do que uma escolha estética. “É uma afirmação de pertencimento. O sertão nortista guarda memórias que precisam ser contadas, e o cinema é um instrumento potente para preservá-las e compartilhá-las com o mundo”, complementa ele.
Atualmente, o longa está em fase de pós-produção, com previsão de finalização em abril de 2026, quando deverá iniciar o circuito de festivais.
Projeto
O projeto é uma iniciativa da Cenaberta Produções, patrocinada por edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo (LPG), via Secretaria Estadual da Cultura (Secult) e Ministério da Cultura (MinC). O projeto conta ainda com apoio institucional da Prefeitura de Marianópolis e da Prefeitura de Pium.
Ascom Cenaberta
